# Extensions (Ramais)
Primeira fase que dá dado real de negócio ao FreeSWITCH via `mod_xml_curl`
(agente.md secao 39-40, 178).
## Modelo
`extensions` (tenant-scoped, RLS — mesmo padrão de `tenant_memberships`):
`number`, `name`, `domain`, `sip_password_enc`, `caller_id_name/number`,
`context`, `sofia_profile`, `codecs`, `max_registrations`, `enabled`.
`UNIQUE(tenant_id, number)` — números só precisam ser únicos dentro do
tenant (secao 34).
## Senha SIP (secao 178)
- Gerada com `generateStrongPassword()` (24 caracteres alfanuméricos,
`crypto.randomBytes`).
- Cifrada em repouso com AES-256-GCM (`packages/shared/src/crypto.ts`),
chave em `ENCRYPTION_KEY` (.env, 32 bytes hex) — nunca no PostgreSQL.
- **Só aparece em texto puro na resposta do `POST /extensions`, uma única
vez.** `GET`/`list` nunca devolvem `sipPasswordEnc` nem a senha — a função
`toPublicExtension()` faz destructuring explícito do campo (não spread) pra
garantir isso é removido de fato, não só "esquecido" no tipo TypeScript.
## API (`apps/api/src/extensions`)
```
POST /extensions extensions.manage cria (gera+cifra senha, devolve 1x)
GET /extensions extensions.view lista (sem senha)
GET /extensions/:id extensions.view detalhe (sem senha)
DELETE /extensions/:id extensions.manage soft delete (deletedAt + enabled=false)
```
Novo `PermissionGuard` genérico (`@RequirePermission('extensions.manage')`)
— roda depois do `JwtAuthGuard`, exige tenant selecionado no JWT (nunca
aceita tenant_id do client) e chama `userHasPermission()` de `packages/auth`.
**Achado real durante os testes**: o `PermissionGuard` injeta `Reflector` via
construtor — padrão documentado do NestJS. Rodando via `tsx` (esbuild), o
`reflector` chegava `undefined` em runtime (`TypeError: Cannot read
properties of undefined`), porque esbuild não faz emissão de
`design:paramtypes` com checagem de tipos completa entre arquivos (limitação
conhecida do esbuild, diferente do `tsc`). Resolvido com `@Inject(Reflector)`
explícito no construtor. Isso é um risco real pra qualquer guard/serviço
futuro que dependa de injeção implícita de tipo — **usar `@Inject()`
explícito sempre que o dev/runtime for via `tsx`**, ou considerar migrar
`apps/api` pra build real (`tsc`) mais adiante.
**Atualização (fase Dialplan)**: esse "considerar migrar" virou obrigatório
— o mesmo problema de metadata do esbuild também desativava silenciosamente
o `ValidationPipe` inteiro (sem crash, sem log, só aceitando qualquer
entrada). `apps/api` agora sempre builda com `tsc` antes de rodar. Ver
docs/VALIDATION_PIPE_BUG.md.
## `b2bcall-fs-config` agora responde directory de verdade
Fluxo `section === "directory"`:
1. `Tenant.findFirst({ telephonyDomain: domain, status: "ACTIVE" })` — tenants
não são RLS-protected (é o registro da plataforma).
2. `withTenantContext(tenant.id) → Extension.findFirst({ number: user, enabled: true })`.
3. `buildDirectoryUserXml()` (`packages/telephony`) monta o XML, incluindo
`b2bcall_tenant_id`/`b2bcall_extension_id` como channel variables (secao 81
— assim qualquer chamada desse ramal já carrega a origem).
**Achado real**: a primeira versão do XML não incluía o bloco
`` que a
config vanilla tem em `directory/default.xml`. Sem isso, `originate
user/1500 &park()` falhava com `MANDATORY_IE_MISSING` em vez do
`USER_NOT_REGISTERED` esperado — o FreeSWITCH não sabia montar o dialstring
pro endpoint `user/`. Corrigido copiando o mesmo template de `dial-string` da
config vanilla.
## `$${domain}` fixo (só o valor default do container, não uma restrição)
`Tenant.telephonyDomain` precisa bater com o que o FreeSWITCH manda como
`domain` no POST do xml_curl. Por padrão, a config vanilla usa
`domain=$${local_ip_v4}` — o IP do container, que muda a cada restart e
nunca seria estável o suficiente pra configurar em um tenant. Corrigido no
`Dockerfile` do FreeSWITCH com um `sed` fixando `$${domain}` pra
`b2bcall.local` (configurável via `ARG DEFAULT_SIP_DOMAIN`) — isso é só o
valor usado como REFERÊNCIA/fallback em `vars.xml`, não uma restrição de
quais domínios o profile aceita.
**Multi-domínio real por tenant — resolvido na PHASE 50** (achado real
reportado pelo usuário testando): o profile `internal` (vanilla, não
sobrescrito) já vem com ``
— aceita REGISTER de qualquer domínio dinamicamente, sempre dependeu só do
`section=directory` do `mod_xml_curl` resolver o domínio certo (que já
funciona por request, olhando o `domain` que o UA manda). O bug de verdade
era só a camada de aplicação: `TenantsController.create()` gravava o mesmo
`telephonyDomain` fixo ("b2bcall.local") pra todo tenant novo. Corrigido:
`telephonyDomain` agora é obrigatório e único na criação do tenant
(constraint no banco), sugerido como `{code}.b2bcall.net` na tela mas
editável.
**Correção (PHASE 53)**: o parágrafo acima concluía "nenhuma mudança de
infra foi necessária", baseado só em testar o `mod_xml_curl` via curl
direto (que de fato já funcionava por domínio). Isso era **incompleto**
— só um teste de REGISTER de verdade, com um softphone real, achou que o
profile `internal` TAMBÉM tinha `force-register-domain`/
`force-subscription-domain`/`force-register-db-domain` fixados em
`$${domain}`, ignorando completamente o domínio do REGISTER e sempre
resolvendo contra "b2bcall.local" (403 Forbidden pra qualquer domínio
real de tenant). O `` citado acima só
afeta resolução de contexto de dialplan — não essa checagem de REGISTER,
que é um código completamente separado dentro do sofia profile. Corrigido
no `Dockerfile` removendo os 3 params (mesmo `sed` do `$${domain}` acima)
— procedimento padrão documentado do próprio FreeSWITCH pra
multi-domínio. Ver PHASE 53 no `TODO.md` pro teste completo.
## Verificado ponta a ponta
```bash
POST /extensions {"number":"1500","name":"Ramal de Teste"} # 201, senha aparece 1x
GET /extensions/:id # confirma senha nunca reaparece
# fs-config resolve com a senha certa (decifrada corretamente):
curl -d "section=directory&user=1500&domain=b2bcall.local" http://fs-config:8080/
# FreeSWITCH:
originate user/1500 &park() # USER_NOT_REGISTERED (achou o ramal, sem telefone registrado)
originate user/1501 &park() # SUBSCRIBER_ABSENT (nao existe)
DELETE /extensions/:id
originate user/1500 &park() # volta a SUBSCRIBER_ABSENT
```
## Autenticação HTTP `fs-config` ↔ FreeSWITCH
Adicionada nesta mesma fase (assim que o serviço passou a devolver dados
reais, deixou de ser opcional): HTTP Basic, credenciais em `FS_CONFIG_USER`/
`FS_CONFIG_PASSWORD` (.env, geradas com `openssl rand`). FreeSWITCH manda via
`gateway-credentials` em `xml_curl.conf.xml` (substituído em runtime pelo
`entrypoint.sh`, mesmo padrão do `ESL_PASSWORD` — nunca fica na imagem).
`fs-config` compara com `timingSafeEqual` (evita timing attack), libera só
`/health` sem auth (usado pelo healthcheck do Docker). Verificado: requisição
sem credenciais recebe 401; o FreeSWITCH (com `gateway-credentials`
configurado) continua funcionando normalmente.
## Senha SIP: "ver de novo" além do "show once" (PHASE 51)
Achado real reportado pelo usuário: "show once" puro não funciona no dia a
dia — reconfigurar um telefone físico ou softphone precisa da senha de
novo, e forçar reset toda vez (`POST /:id/reset-password`) derruba o
registro de qualquer aparelho já configurado com a senha antiga.
`sipPasswordEnc` sempre foi criptografia reversível (AES-256-GCM), nunca
hash — só não estava exposto. `POST /extensions/:id/reveal-password` (novo)
decifra e devolve a senha ATUAL sem trocar nada, auditado
(`EXTENSION_PASSWORD_REVEALED`) por ser uma ação sensível mesmo sem
escrita nenhuma.
## Grupo de captura (call group, PHASE 51/53)
Achado real: sem isso, qualquer ramal conseguia capturar a chamada de
qualquer outro (o PBX não tinha noção de "grupo"). `Extension.callGroup`
(nullable) vira a variable `callgroup` no directory XML.
**Correção (PHASE 53)**: o parágrafo original dizia que a variable era
`call-group` (com hífen, convenção do Asterisk) e que o FreeSWITCH "já
resolve `*8` sozinho comparando essa variable entre canais" — ambas as
afirmações estavam erradas, e nunca tinham sido testadas com uma chamada
de verdade. O mecanismo real, confirmado contra a documentação oficial do
FreeSWITCH e testado ponta a ponta com softphones reais (PHASE 53):
1. A variable correta é `callgroup`, sem hífen — não tem nenhum efeito
automático sozinha. É lida no dialplan via
`${user_data(@ var callgroup)}` (API `mod_commands`,
já carregada).
2. O `bridge` que atende a ligação pro ramal chamado precisa forkar um
leg extra `pickup/` junto do `user/...` normal — isso é o que
registra a ligação tocando num hash em memória sob a chave do grupo:
`bridge data="user/${destination_number}@${domain_name},pickup/${called_party_callgroup}"`.
3. Uma extension de feature code separada (`*8`) precisa chamar a
application `pickup` (adicionada ao `ALLOWED_DIALPLAN_APPLICATIONS`)
com o grupo do PRÓPRIO CALLADOR como `data`.
Essas duas regras de dialplan (bridge com o pickup fork + `*8`) foram
configuradas de verdade no tenant Acme via Telefonia > Dialplan — não é
mais só "o dado existe, falta configurar a regra". Testado com 3
softphones reais: ramal do mesmo grupo captura a ligação tocando (`*8`
funciona e o canal migra de verdade); ramal de outro grupo tenta `*8` na
mesma ligação e falha (nenhuma captura). Ver PHASE 53 no `TODO.md`.
### Achado de segurança relacionado: RCE via função inline no dialplan (PHASE 53)
Implementando o mecanismo acima, foi descoberto que o allowlist de
`application` (`set`/`export`/`playback`/...) nunca bloqueava
`${nome(args)}` — uma chamada de API do FreeSWITCH — embutida dentro do
`data` de uma application já permitida. Como `mod_commands` está
carregado, isso permitia `${system(...)}`/`${bg_system(...)}` e RCE
completo no host do FreeSWITCH pra qualquer Tenant Admin com permissão
`freeswitch.configure`. Corrigido com um segundo allowlist,
`ALLOWED_INLINE_API_FUNCTIONS` (`packages/telephony`), validado no DTO
via `IsSafeDialplanData` (`apps/api/src/dialplan/dto/`) — bloqueia
qualquer `${nome(...)}` fora de um punhado de funções de leitura
(`user_data`, `escape`, `url_encode`, `url_decode`, `regex`, `strftime`).
`${variavel}` sem parênteses nunca é afetado.
## O que falta
- ~~Quota de ramais~~ — implementada na fase Plans/Entitlements (ver
docs/ENTITLEMENTS.md), `assertQuota` chamado antes de criar.
- Tela "Telefonia → Ramais" (frontend) — já existe (ver PHASE 30).
- ~~Multi-domínio real por tenant~~ — resolvido na PHASE 50/53 (ver
acima).
- ~~Extensão de dialplan padrão pro `*8` de group pickup~~ — configurada
de verdade no tenant Acme na PHASE 53 (ver acima); ainda não é seedada
automaticamente pra tenant novo, decisão de produto em aberto.